quarta-feira, 23 de maio de 2012

.memória de 14/05/12

Foi proposto por Eric a construção de um "diário de aprendizagem". Diferentemente de propostas anteriores de outros docentes, o professor incentivou a criação digital de tais relatos, facilitando o manuseio do arquivo, tanto para atualização, quanto para acompanhamentos, além do compartilhamento com os colegas discentes.
Então, eis aqui meu "diário".

Nesse dia, houve uma troca de informações orais do que pensamos sobre ciência, pesquisa e as ciências humanas. Confesso, quando pensava em ciência, era a imagem ao lado que vinha em mente (e tenho certeza que é o que acontece com a maioria das pessoas): um homem de aparência levemente desequilibrada, com óculos fundo de garrafa, jaleco branco e fórmulas malucas em frasquinhos coloridos.

Tudo bem, confesso que só quero ser simpática. Meu pensamento, apesar dos poucos anos de graduação, já era outro. 

O 1º capítulo do livro do Rubem Alves, citado na postagem anterior, dá início, de forma bem didática, bem leve, mas muito inteligente, aos esclarecimentos do que é ciência, de como as pessoas em geral pensam, de como elas agem e de como fazem ciência sem saber.
Senso-comum é a palavra preponderante. A maioria das coisas que nos são apresentadas desde o nascimento são produto do senso-comum. Contudo, há algo intrigante quando o autor diz que todos nós fazemos ciência. Como assim, Rubem? Ele explica: 
Você a capaz de visualizar imagens? Então pense no senso comum como as pessoas pensam. E a ciência? Tome essa pessoa comum e hipertrofie um de seus órgãos, atrofiando os outros. Olhos enormes, nariz e ouvidos diminutos. A ciência é uma metamorfose do senso comum. Sem ele, ela não pode existir. E essa é a razão por que não existe nela nada de misterioso ou extraordinário.¹
Ficou claro o que Rubem Alves quis dizer. A ciência é o estudo aprofundado e específico de alguma coisa. Quando sabemos um pouquinho sobre tudo, estamos exercitando uma prévia do que é ciência. A diferença está na problematização da coisa. Daí, para achar respostas, ou melhor, para se fazer ainda mais perguntas, afunila-se, concentra-se, descarta-se o todo e foca-se apenas a parte. Porém, para tornar-se cientista, não se deve ridicularizar ou diminuir o senso-comum. 
Talvez eu precise de ciência para refinar o ouro, mas é o senso-comum que me guiará a encontrar a pedra.



Notas:
¹ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência: Introdução ao jogo e a suas regras. 12ª edição. São Paulo: Editora Loyola, 2007. P. 14.

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